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ARTIGOS sobre GESTÃO
Notícias de Sexta, 12 de Fevereiro de 2010
Quem precisa de consultores
POR:CHARLES BENIGNO
Já disse nessa coluna que as empresas precisam se profissionalizar, aumentar a eficiência. Entretanto, nem sempre dentro da empresa existem profissionais qualificados para promover as mudanças necessárias. Ao mesmo tempo, é deveras oneroso uma empresa contratar um elenco muito especializado de profissionais. E, por que não dizer, desnecessário, visto que em grande parte das vezes a necessidade destes profissionais não é constante. Nessas situações o melhor que uma empresa tem a fazer é contratar um consultor externo. Esse tipo de profissional é contratado para um projeto específico, com objetivos bem definidos e por tempo determinado. A consultoria empresarial é um serviço muito demandado por grandes empresas, mas seu papel é ainda mais relevante em se tratando de pequenas e médias empresas. Afinal, são as que menos possuem profissionais de alto gabarito em seus quadros funcionais, por não poderem pagar altos salários e oferecer planos de carreira atrativos. Ao mesmo tempo, pela própria característica dos pequenos negócios, há muita dificuldade em implementar ferramentas de gestão comumente encontradas em multinacionais, como os 5 S´s, a Qualidade Total, a ISO 9000 etc. Apesar disso, ainda é pouco difundida entre pequenas e médias empresas a prática de contratar um consultor de empresas. Os motivos para essa realidade são diversos, mas poderíamos citar a falta de conhecimento dos benefícios que podem ser conseguidos com a intervenção de um consultor, como uma das causas mais comuns. Existem ainda aqueles empresários que acreditam que suas prioridades são outras e que consultores são caros para pequenos negócios. Essa é uma visão míope, pois hoje existem mais consultores atuando em pequenas empresas do que em grandes corporações. A cultura empresarial brasileira também é um outro empecilho. Empresários brasileiros não gostam que pessoas de fora conheçam o seu negócio. Temem pelas informações sofre faturamento, lucros, práticas empresariais etc. Preferem se trancar em seus escritórios e não deixar que ninguém saiba a quantas anda sua empresa, mesmo que seja para seu próprio benefício. Mesmo diante desse quadro, o mercado para consultores independentes tem crescido. O aumento da competição tem obrigado a uma nova postura empresarial, mais aberta às mudanças, ao aperfeiçoamento contínuo. Por conta disso, empresários são forçados a pedir ajuda a alguém de fora, que possa trazer soluções ou ajudar a encontrá-las. Caso sua empresa precise de ajuda, não seja prepotente, contrate um consultor, pois a ineficiência custa mais caro.
Profissionalismo
POR:CHARLES BENIGNO
Semana passada estive em uma reunião com Marcos Marcelino. Ao final da conversa, ao comentar sobre sua trajetória empresarial de sucesso, afirmou que também teve fracassos, mas que sempre que fracassou foi quando não atuou com profissionalismo. Mas, afinal, o que é atuar com profissionalismo? O que significa isso para um empresário? Atuar com profissionalismo é conhecer o negócio, o produto, o consumidor, a concorrência. É trabalhar com empenho, com seriedade, buscar melhorar sempre, buscar o melhor resultado possível para o seu trabalho. É agir com ética, com eficiência. Infelizmente, é mais fácil encontrarmos o amadorismo. Quantos empresários se preocupam em treinar seus vendedores? Quantos empresários realmente se preocupam que o cliente esteja satisfeito? Quantos conhecem a fundo seu negócio? Todos nós já tivemos contato com empresas claramente pouco profissionais, e sabemos que a experiência nunca é agradável. Sabemos também que nestas situações a nossa maior alegria é saber que existe um concorrente melhor. Por isso somos implacáveis com quem não trabalha da maneira certa. Quando se trata de mercados extremamente competitivos, a situação é ainda mais crítica. Muitas vezes as empresas nem têm tempo para corrigir seus erros, para aprender. Não é à toa que o tempo médio de permanência de uma nova empresa no mercado diminuiu. Observem a explosão do segmento de franquias. Uma das vantagens de ser franqueado é começar profissionalmente um negócio, com processos consolidados, com know how desenvolvido e conhecimento do mercado. Isso diminui em muito os riscos de insucesso. Seria bastante útil se todo empresário, diante de dificuldades ou fracassos, avaliasse se agiu com profissionalismo. Talvez nesta resposta esteja a origem de seus problemas. Empresário que não atua com profissionalismo tem vida curta no mercado. Não existe um caminho alternativo, em longo prazo o negócio não prospera. Por isso muitas empresas fecham as portas. Não é somente por crise no mercado, falta de apoio do governo, falta de capital. Há que se considerar com que nível de profissionalismo estes empresários atuavam. Que nível de esforço empreenderam neste sentido. Muitos nem sequer tiveram essa preocupação, ou reconheceram depois seus erros. Parando para pensar, não há como deixar de concordar com Marcos Marcelino: um dos segredos do sucesso nos negócios é atuar com profissionalismo.
Organização psicológica
POR:CHARLES BENIGNO
O filme mais lembrado de Charles Chaplin sem dúvida é Tempos Modernos. Não somente por ser um excelente filme, mas por ter refletido o paradigma de uma era, a da industrialização dos meios de produção. Em seu filme Chaplin criticava a transformação do homem em um apêndice da máquina. Porém, esse era o foco, pois as indústrias precisavam urgentemente melhorar a produtividade e diminuir custos. Passados quase 100 anos do filme de Chaplin o cenário é outro, as empresas empregam muito mais tecnologia, robôs operam linhas de produção, a indústria de serviços se expandiu extraordinariamente. Dentro deste contexto, o trabalho repetitivo de antes está sendo substituído pelo trabalho intelectual. A inovação e a criatividade é um diferencial competitivo incansavelmente buscado. Mas, como melhorar a produtividade do trabalhador que tem como principal função pensar, ser criativo? A criatividade está ligada a sentimentos, emoções, liberdade, relacionamentos, disseminação de conhecimento, trabalho em equipe, inspiração, experimentação, algo que os gestores não sabem bem ainda como administrar nos indivíduos. Poucos entendem esse desafio. Hoje as empresas contam com dezenas de ferramentas de gestão desenvolvidas ao longo do tempo, há muito conhecimento e técnicas consolidadas para controlar processos, qualidade etc. Entretanto, como fazer as pessoas se apaixonarem por seu trabalho? Como motivar as pessoas a terem idéias? Como gerenciar o conhecimento gerado internamente e difundi-lo? Como mexer com o sentimento das pessoas, tornando-as mais voltadas para o negócio? Num mundo em que as ferramentas de administração estão à disposição de todos, em que estratégias e produtos são rapidamente copiados, o que manterá uma empresa competitiva é o que eu chamo de “organização psicológica”. Isso é nada mais nada menos que o conjunto de sentimentos e emoções que envolvem a organização e como elas são gerenciadas e voltadas para o negócio, gerando criatividade e energia vital, vibrante. As empresas que melhor gerenciam isso são imediatamente reconhecidas, basta você entrar nelas e sentir o clima, a forma como as pessoas se tratam, o olhar dos funcionários, a energia positiva, que se transforma em uma coisa única e que dificilmente os concorrentes conseguem imitar.
Inovadores
POR:CHARLES BENIGNO
Não é todo mundo que se arrisca a apostar em uma nova tecnologia, a ser inovador. É preciso ter visão, coragem, perseverança. Na década de 40 o filho do fundador da IBM convenceu seu pai a investir na fabricação de computadores. Ninguém acreditava nos computadores na época. Quase leva a empresa para o buraco, investindo bilhões de dólares. Pouca gente sabe que foi a General Motors a primeira montadora a apostar no motor refrigerado a ar. Passou uns cinco anos fazendo isso, na década de 20. Abandonou o projeto por falta de apoio ao engenheiro que apostava na solução. Poucos anos depois a Volkswagen lançou o Fusca, com motor refrigerado a ar. Nem sempre uma nova tecnologia dá certo no primeiro momento, o que não significa que não vá dar certo nunca, é o que revela a história. O primeiro a introduzir o sistema de monitoramento via satélite no Brasil foi Nelson Piquet. Na época encontrou tantas dificuldades que teve de falar diretamente com o então presidente da república, Itamar Franco. Quem resolve investir em uma nova tecnologia paga o preço da inovação, do pioneirismo. Um preço que pode ser medido no montante de dinheiro investido e no risco do prestígio pessoal se a coisa não der certo. Por isso pouca gente se arrisca a tentar o que ainda não foi testado, o que ainda é incerto. Quem faz isso muitas vezes se vê isolado, nadando contra a corrente. Normalmente ouve muita palavra de desencorajamento. Se não bastasse a turma do “não vai dar certo”, ainda existe o árduo trabalho de fazer a nova tecnologia funcionar, trazer resultados. Quem é pioneiro paga o preço em horas de trabalho, em perguntas sem respostas, em pressão por todos os lados. Tem que desenvolver técnicas, encontrar saída para problemas novos, superar obstáculos. Inovadores são, acima de tudo, corajosos, porque arriscam, colocam seu nome em jogo (muitas vezes seu próprio dinheiro). Quando muitos preferem ficar confortáveis em suas poltronas, os inovadores saem por aí procurando novas idéias, novas soluções para problemas velhos e novos. Quando tudo dá certo, são chamados de visionários. Nessa hora aparece um bocado de gente querendo obter os créditos, se apropriar das idéias e colher os frutos do trabalho deles. Nessa hora o que não falta é “papagaio de pirata”. Mas, quando dá errado, os inovadores assumem os fracassos e choram sozinhos. De uma forma ou de outra, tendo sucesso ou fracasso, eu prefiro aqueles que se arriscam a tentar novas tecnologias, a serem inovadores. Pelo menos eles podem dizer que não se acomodaram, que não foram covardes. Sempre que posso, prefiro trabalhar e conviver com gente assim. É esse tipo de gente que faz o mundo girar.
Empresário rico, empresa pobre
POR:CHARLES BENIGNO
Aos 25 anos Carlos iniciou um pequeno negócio. Recém-casado, investiu as poucas economias que tinha e trabalhou duro. Como resultado de seu esforço a empresa prosperou, pois o dinheiro que sobrava era reinvestido. Com o tempo a empresa se tornou muito lucrativa. A esta altura Carlos já tinha três filhos e suas despesas cresceram na proporção de seu sucesso. Comprou uma grande e bonita casa, carros de luxo, lanchas, e entrou para a alta sociedade. Nada mais justo, pensava Carlos, afinal foram anos de sacrifícios. As noites e fins de semana no escritório foram trocados pelas festas da alta sociedade. Os filhos tinham tudo e mais um pouco. A empresa, claro, ainda era muito lucrativa, mas boa parte dos lucros agora eram destinados a manter o alto padrão de vida de Carlos. Ele e sua família se tornaram um alto custo para a empresa. Tudo ía muito bem até que apareceu um sujeito chamado José, que assim como aconteceu com Carlos estava começando do nada. José era um homem simples e não precisava de muito para viver. O problema é a empresa de José se tornou concorrente da empresa de Carlos. Com uma estrutura mais enxuta e ágil, José começou a conquistar importantes clientes de Carlos. Seus preços podiam ser menores, visto que José não tinha tantos bens para manter, nem outros luxos. Quando Carlos percebeu que perdia terreno para um concorrente, a primeira atitude foi demitir funcionários antigos, que ganhavam melhor, por outros com salários mais baixos. O tiro saiu pela culatra, metade deles foi contratado por José. Carlos se viu então com a empresa dando prejuízo. Mesmo assim continuou a fazer as mesmas retiradas de antes. Como ele poderia ficar sem as viagens de turismo? Como poderia deixar de freqüentar as festas que sua mulher e seus filhos adoravam? Vender a sua lancha preferida? Nem pensar. Enquanto isso José trabalhava de dia e de noite. O tempo foi passando, os negócios pioraram até que Carlos finalmente caiu na real. Endividado, não podia mais manter o padrão de vida de antes. Vendeu grande parte de seus bens e teve que se contentar com um negócio menor. Entretanto, Carlos já não tinha a disposição de antes e seus filhos nunca realmente pegaram “no batente”, e aos poucos o negócio fechou. Quando indagado sobre que lição tinha tirado de tudo isso, Carlos declarou: “um empresário não continua rico se tornar sua empresa pobre”.
Notícias de Segunda, 1 de Fevereiro de 2010
Empresa x Universidade
POR:CHARLES BENIGNO É reclamação constante da maioria dos empregadores a dificuldade em encontrar profissionais qualificados para contratação. Normalmente se busca por meio de anúncios de jornal, empresas de recursos humanos e indicação de terceiros. Durante esse processo um empregador pode receber dezenas de currículos. Mas mesmo assim receber um bom currículo nem sempre é certeza de estar diante do profissional certo. Por isso damos tanto valor para as “indicações”. Acreditamos que diminuímos o risco de errar quando uma outra pessoa já conhece o histórico do futuro candidato, conhece seu desempenho. Realmente, uma boa “indicação” tende a ser melhor que um bom currículo. Isso quando a indicação é feita da forma correta. Porém, existe outra forma de se buscar bons profissionais, com baixo nível de erro na avaliação do potencial. Estou falando da seleção de candidatos dentro das universidades por meio de acompanhamento do desempenho durante o curso, suas habilidades. Diferente do simples estágio – que em grande parte é uma forma de contratar mão-de-obra barata – esse modelo busca pessoas para ocupar funções gerenciais e especializadas. O objetivo é reconhecer os talentos que podem se desenvolver. É assim que os grandes times de futebol fazem nas escolinhas de base, por meio dos famosos “olheiros”. Para que esse processo funcione, é necessária a ajuda de professores e coordenadores de curso. As empresas, por sua vez, devem realizar palestras, desenvolver projetos nos quais possam avaliar o potencial dos futuros candidatos a emprego. No Sudeste do país, onde se concentram as melhores escolas de negócio, isso já existe. Nos Estados Unidos, mais ainda. Em nossa região precisamos melhorar muito. Ainda não temos essa cultura, infelizmente. A participação de empresas dentro das universidades é benéfica para todas as partes. Para as empresas porque melhora o índice de sucesso nas contratações e contratam os melhores. Para os alunos, porque os incentiva a melhorar seu desempenho durante o curso e cria oportunidades de emprego. Para as universidades, porque se aproximam da realidade do mercado e ajudam seus alunos na profissão. Mesmo com vantagens óbvias, há muito que se fazer. Mais empresas precisam abrir os olhos para essa oportunidade e as universidades precisam conscientizar as empresas.
Empreender, desde o berço
AUTOR:CHARLES BENIGNO Muito se tem falado em ensinar profissionais a se tornarem empreendedores, mas me pergunto se não estamos fazendo isso em idade tardia. Tentamos fazer com que adultos desestimulados, que passaram a vida toda ouvindo alguém dizer que devem procurar segurança no emprego, de uma hora para outra se tornem propensos a correr riscos. A verdade é que nossa educação, desde a base, não é feita para nos tornarmos pessoas de sucesso. Somos educados por professores profissionais, que não sabem nada sobre empreender. E nossos filhos, assim como nós, são educados para o convívio com o outro, para ler e escrever, para conhecer história, física, mas nada aprendem sobre serem ousados na vida. Nada aprendem em como ser empreendedor. Recebemos na escola, a todo momento, críticas, ordens de disciplina, mas ninguém nos ensina a guardar dinheiro e investir. Ninguém nos ensina a sonhar com grandes realizações, grandes empreendimentos. Ficamos, desse modo, sujeitos a uma minoria de pessoas que realmente têm vocação para o comércio, para os negócios, para a liderança. Não estamos dizendo que devemos abandonar nosso sistema de ensino tradicional em prol do mercantilismo. Não é isso que defendemos. Defendemos apenas que repensemos como ensinamos nossos jovens, pois evitamos que se tornem pessoas mais realizadoras, notadamente na área de negócios. Instigar o espírito empreendedor deve começar desde cedo, na forma como conduzimos o ensino de jovens. A mesma coisa acontece no ensino em casa. A maioria de nós passa a vida ouvindo dos pais que devemos buscar a segurança no emprego, um lugarzinho seguro atrás de uma mesa bem grande e uma cadeira confortável. Esse ideal de vida nos é passado de geração a geração, sem que percebamos como isso é castrador. Dessa forma, muitos de nós se tornam adultos frustrados, quando poderíamos ser muito mais do que somos. Não é à toa que o brasileiro adora emprego público e defende com unhas e dentes o emprego vitalício e estável, na contramão da tendência mundial. Se quisermos realmente mudar o panorama empresarial, de forma profunda, mas no longo prazo, precisamos repensar nossa educação. Se não pudermos mudar todas as escolas, criemos escolas experimentais. Temos certeza de que o resultado será surpreendente.
Você vai melhorar?
AUTOR:CHARLES BENIGNO Em diversas conversas que já tive com empresários, já ouvi todo tipo de reclamação. Reclamação sobre dificuldades em aumentar as vendas, gerenciar pessoas, reter talentos, inovar etc. Entretanto, ao indagar mais um pouco, percebi que as dificuldades na empresas estavam também – em grande parte dos casos – atreladas ao próprio perfil do empresário, suas limitações, como pessoa e como profissional. Ou seja, as limitações dessas empresas eram também as limitações dos seus proprietários, e eles tinham resistência em admitir isso. Normalmente, a atitude inicial é procurar um “bode expiatório” para o problema. Atitude essa que fica clara em expressões do tipo “o problema é que não consigo encontrar gente boa no mercado” (ele não quer pagar o que um bom profissional merece); “não consigo melhorar o atendimento (ele trata mal seus funcionários, que só fazem repetir a atitude do dono); “não consigo fidelizar meus clientes” (ele não é honesto com os clientes, por isso seus clientes não são fiéis a ele)”. Como visto acima, muitos problemas são fruto de deficiência do empresário, seja por questões de caráter ou de atitude diante das situações. A percepção destes fatos nos conduz à necessidade de aperfeiçoamento empresarial, que envolve a mudança de mentalidade a respeito da gestão, o aprimoramento de habilidades gerenciais, entre outras coisas. Desta forma, não temos como separar desenvolvimento da empresa de desenvolvimento do empresário. Nenhuma empresa se torna grande se seu proprietário continuar pequeno como profissional e como pessoa. Temos muitos casos na história empresarial em que o dono se tornou o principal problema da empresa, como aconteceu com Henry Ford no final de sua vida. Ford não queria abrir mão do comando e quase destruiu o império que construiu. Por que isso aconteceu? Porque simplesmente Ford não evoluiu como empresário na mesma medida da necessidade do mercado. Tornou-se obsoleto como os produtos que vendia à época. Mas existem também bons exemplos, e vou citar Bill Gates. Ao perceber que não tem as qualidades necessárias para manter a Microsoft competitiva, resolveu abrir mão do comando. Já anunciou que se afastará da condução do negócio. Em síntese, se queremos empresas mais competitivas, melhor geridas, precisamos começar pelo aperfeiçoamento dos empreendedores à frente dessas empresas, para que as limitações destes indivíduos não se tornem empecilhos ao desenvolvimento grandes e bem-sucedidas empresas.
Chame o síndico
AUTOR:CHARLES BENIGNO Acima de 50 anos, aposentado, e com bastante tempo livre. Até pouco tempo atrás esse era o perfil desejável de um síndico. Pelo menos a maioria dos condôminos pensava assim. Felizmente, essa percepção mudou, depois de muitas conseqüências desagradáveis para moradores de edifícios. Com o tempo, as pessoas perceberam que não basta alguém ter tempo para ser síndico, ou ser paciente para lidar com os problemas diários. É necessário ter competência. Um condomínio deve ser administrado tão bem quanto uma empresa. Está sujeito aos mesmos princípios, portanto merece o mesmo cuidado. O síndico tem que lidar com recursos financeiros, gerir pessoas, administrar conflitos, interpretar leis, planejar. Tem que conseguir resultados, sejam eles financeiros ou não, por isso é importante saber estabelecer metas, desenvolver planos de ação. Para tanto, tem que estabelecer as prioridades e calcular os recursos necessários. Não é qualquer pessoa que sabe fazer isso.Todas essas são funções de um gestor. Não vou dizer aqui que todo síndico tem que ser formado em administração, seria um exagero. Entretanto, todo síndico tem que conhecer as ferramentas de gestão necessárias para suas atividades. Quem não sabe, e é síndico, tem que estudar para saber, caso contrário colocará em risco o patrimônio pelo qual é responsável. Eleger alguém para síndico com base na simpatia, ou porque é a única pessoa que quer assumir uma função que trás muita dor de cabeça, é falta de bom senso. Quando os condôminos não se preocupam com a administração de seu prédio, sofrem “na pele” as conseqüências da omissão e pagam caro por isso. Além dos aborrecimentos cotidianos (como elevadores mal conservados, serviços que não funcionam, desrespeitos às normas etc.), sofrem perdas financeiras, como a desvalorização de seus imóveis e o aumento das taxas condominiais. Outra opção é contratar uma empresa especializada na administração de condomínio. Porém a seleção desta empresa precisa ser rigorosa, e, depois feita a escolha, é necessário o controle e acompanhamento por parte dos condôminos. Caso contrário, o que aparentemente seria uma solução, pode se transformar em outra fonte de problemas. Assim, escolher um síndico requer muita atenção. Não basta escolher quem “tenha tempo”, ou quem está disposto a suportar a “aporrinhação”. Os condôminos que não compreendem isso estão fadados a terem seus patrimônios nas mãos de pessoas despreparadas – quando não raro, mal intencionadas.
Batalha em duas frentes
Autor:CHARLES BENIGNO Da mesma forma, Hitler começou a perder a guerra ao invadir a Rússia e dividir ainda mais a força de seu exército. A guerra em duas frentes é constantemente vista pelos estrategistas como uma estratégia perigosa e que deve ser evitada. Da mesma forma, muitas empresas fracassam ao se lançarem em mais de um empreendimento de forma inadequada. Não raro sabemos de casos em que empresas bem-sucedidas encontram o prejuízo ao buscarem um novo mercado ou diversificarem suas atividades. Isso porque dividiram suas forças e sucumbiram perante a concorrência. Portanto, antes de se lançar em nova empreitada, é necessário uma análise prévia de recursos e competências. Nem sempre o sucesso em um mercado indica capacidade para competir em outro. Uma empresa que atua no varejo, por exemplo, não necessariamente tem habilidade para competir em setores de manufatura. E vice-versa. O crescimento rápido demais também pode transformar o gerenciamento em um caos e absorver mais recursos financeiros que o previsto. A franquia China in Box aprendeu isso a duras penas ao crescer demais e em mercados que não conhecia bem. No caso da entrada em um ramo de atividade diferente do original, é preciso cuidado para que os investimentos não comprometam a saúde financeira do negócio principal. A competência gerencial instalada também deve ser observada. O ideal é que sejam contratados executivos com experiência no mercado a ser explorado, para encurtar o tempo de aprendizado e evitar erros iniciais. Há que se rever também a forma de gerenciamento e a estrutura necessária para o crescimento e/ou diversificação. Empresas excessivamente centralizadas têm mais chances de fracasso ao diversificarem suas atividades. É claro que diversificar os negócios pode ser uma boa alternativa de crescimento, mas, repito, deve ser realizada uma análise cuidadosa das condições para tal. A sede de crescimento não pode vencer o bom senso e ignorar as reais condições para que o crescimento seja sustentável em longo prazo. Lutar em duas ou mais frentes é perigoso, principalmente quando a empresa subestima os concorrentes e não conhece o mercado tanto quanto deveria. Mas, ao mesmo tempo, se tomados os devidos cuidados, pode levar à vitória no mercado.
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